segunda-feira, 6 de junho de 2011

Gente Grande!

SPOILER u.u

Gente Grande é um filme de humor sem muito drama e extremamente divertido com Adam Sandler. Os personagens do filme foram grandes amigos durante a infância e acabaram se reunindo novamente para dar um último adeus ao treinador do time de basquete que eles formaram quando mais novos. De volta a cidade onde viveram a infância, os grandalhões (tirando o personagem baixinho do rob schneider hehe) acabam fazendo as coisas que gostavam de fazer durante a infância. Por mais que sejam casados, tenham filhos ou uma carreira bem sucedida, juntos eles resolvem fazer antigas brincadeiras da infância, por dois motivos: primeiro porque eles queriam realmente se divertir, e o segundo porque queriam mostrar pros filhos viciados em videogames violentos como foi a infância deles. É meio que quando o seu pai resolve te levar para o terreno pra correr atrás de galinha quando você queria estar em casa jogando Playstation.

Há duas grandes lições nesse filme. A primeira é de que você, mesmo sendo adulto, ainda pode se divertir com brincadeiras de criança. A segunda, é que aquilo que você fez na sua infância refletirá no seu futuro. No filme, existem uma espécie de vilões, que são adultos frustrados, pois na infância eles perderam um jogo de basquete para o time do Adam Sandler e seus amigos, o qual aparentemente o personagem de Adam Sandler cometeu uma falta que o juiz não viu e por isso ele conseguiu marcar o ponto da vitória. Frustrados, os caras passaram a vida toda querendo revanche daquela partida e querendo superar seus adversários. Bom, no filme eles têm a oportunidade. E agora, se você não quiser saber o final, pare de ler e pule o parágrafo =] No final a partida ocorre entre o Adam Sandler e o filho dele contra o maluco frustrado e o filho dele também. No final da partida, quando o Adam Sandler vai fazer o ponto da vitória, de uma posição em que ele nunca errou uma arremesso no basquete, ele acaba "errando" a jogada. O maluco frustrado fica todo feliz e o filho do Sandler fala pro pai "Tudo bem, na próxima a gente ganha". Ao final, perguntam para o personagem do Adam Sandler, "Por que você errou essa jogada que você nunca erra?" e ele responde "Porque o meu filho tem que aprender a perder." A diferença entre as duas equipes é que uma nunca soube perder, sempre teve aquela idéia de que "foram roubados" e isso influiu diretamente na personalidade deles quanto adultos.

Mas o motivo real de eu estar fazendo esse post, foi um episódio que aconteceu aqui em casa. Os pais viajaram, e aí vocês sabem, é hora de FESTA! Ok, mas no nosso caso não era festa American Pie, era só a reunião dos amigos para jogar uno, playstation e etc. Na verdade tinha uma garrafa de orloff rolando por aqui também mas enfim... x) Acontece que pro meio da noite, a gente não sabia mais o que fazer aí surgiu uma idéia bizarra: 5 cortes com micão, aquele pacote enorme de micos. O resultado da brincadeira já dá pra imaginar: eu todo sujo de farelo de micão, o chão da área sujo... Depois ocorreu a idéia de brincar de pegar no escuro gato-mia! E finalmente, a brincadeira mais troll de todas, cabra-cega. Basicamente, todo mundo virou um bando de moleque por aqui. E a gente se divertiu pra caramba. Não que sejamos pais de família bem sucedidos, mas já tá todo mundo na Faculdade, pensando no seu futuro e tudo o mais e de repente viramos um bando de criança feliz! Ou seja, pra certas coisas não se tem idade quando se tá reunido com os amigos. Além do mais, eu descobri que as brincadeiras, depois que a gente cresce, atingem um outro nível. Por exemplo, esses meus amigos metidos a lutadores de kung fu tentando utilizar suas técncicas de percepção do espaço quando eram a cabra-cega (não que tenham sido bem sucedidos nisso né hehe).

Eu só me pergunto se daqui a mais ou menos uns 5 anos, quando todo mundo já vai tá formado, atuando como advogado, médico, dentista e o escambal e com a vida financeira estável (ou quem sabe até mesmo vai tá todo mundo rico!) se a gente ainda vai fazer outra onda dessas. A resposta provavelmente é sim. A gente só é criança uma vez na vida mas não custa nada de vez enquando reviver essa parte tão importante de nossas vidas. =]

Abraços!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Pride and Glorious

Postando rapidinho aqui só pra comemorar o dia da toalha e lembrar que também é dia do orgulho nerd!
É sempre bom lembrar a humanidade que nós já dominamos o mundo e subjugamos todas as outras raças >)
E, aproveitando a ocasião, irei mandar um SALVE  a todos os meus amigos nerds!

HAIL AND KILL! \,,/

E agradecer a todos que compartilharam tempo comigo conversando sobre qualquer besteira épica, gloriosa, curiosa, cultural ou pura e simples bullshit! Momentos que são infinitamente melhores do que as conversas fúteis que a gente escuta dos outros todo dia!
Afinal de contas eu já cheguei a conclusão de que só consigo me dar bem com gente igual ou pior que eu u.u

E espero manter essas amizadades pra sempre!

Vida longa e próspera a todos! \\//

domingo, 24 de abril de 2011

Política Galática

AVISO DE SPOILER: Star Wars - nova trilogia, se você se importar é claro. XD

Aos mais estudiosos e aos fãs de Star Wars: me corrijam no que eu estiver errado =]

A nova trilogia de Star Wars se propõe a contar a história de como o Cavaleiro Jedi Anakin Skywalker foi manipulado a ponto de trilhar o caminho do lado negro da força e se tornar um dos maiores vilões da história do cinema: Darth Vader.
Além daquele lance de Bem e Mal, a história também conta com um fundo político muito interessante. Tudo comina com o momento em que Anakin Skywalker, que já não tinha mais muita fé na República, nem mesmo no Conselho Jedi, encontra o Lord Sith prestes a ser executado pelo mestre Windu, Mestre Jedi interpretado por Samuel L. Jackson. Mas para nós entendermos porque esse momento foi o crucial para que Anakin abandonasse os valores Jedis e trilhasse o caminho do Lado Negro, vamos voltar um pouco na história da humanidade.

Antigamente, quem governava o Estado era o Rei, o Imperador, o Monarca, etc. Era uma única pessoa, cujo poder era hereditário, ou seja, passava de geração em geração da sua família. Como somente o Rei detinha o governo, ele comandava tudo. A sua palavra era a Lei, sua vontade era o destino do Estado e o seu julgamento era absoluto. "O Estado sou Eu" como diria Luiz XIV. Mas como não é legal todo o poder concentrado na mão de uma só pessoa (não é legal pro povo, é claro hehe), foram surgindo outras formas de governo. Esses sistemas de governo foram evoluindo até nós chegarmos nas versões atuais de República e Democracia, bem como na divisão clássica dos três poderes: executivo, legislativo e judiciário. Explica-se. Através da República, todo poder emana do povo, é dado pelo povo e pode ser retirado pelo povo. Na Democracia, o povo participa das decisões do Estado. No caso do Brasil e muitos outros países, a Democracia é exercida indiretamente, pelos representantes escolhidos pelo povo. Na divisão dos três poderes, não cabe mais a uma única pessoa criar as Leis e aplicá-las. Cada poder existe para controlar um ao outro, impedindo arbitrariedades e abuso de poder do outro poder. Cabe ao poder Legislativo, que é representado pelo órgão dos representantes do povo, a Câmara e o Senado por exemplo, criar leis, que devem ser aprovadas pela maioria. Cabe ao poder Executivo, o chefe do Estado, direcioná-lo para o rumo certo, de acordo com o que determinam as Leis. Por fim, cabe ao poder Judiciário, através dos juízes e tribunais, a resolução dos conflitos ocorridos dentro do território do Estado, tanto aqueles entre indivíduos em particular quanto os conflitos de ordem pública.

Dessa forma, o interesse do Estado não era mais o interesse do Rei, e sim, o interesse do povo. Mas, para que o Estado pudesse realizar suas atividades voltadas para o interesse público, não para o interesse pessoal daqueles que o controlam, sua atividade teve que ser completamente regulada por normas. Entre essas normas nós temos a Lei Maior, que é a que regula a atividade de todos os poderes do Estado, impendido que estes cometam excessos. Nascia, assim, a Constituição. Toda atividade do Estado, bem como toda Lei imposta por ele, não pode estar em conflito com essa Lei Maior. De igual forma, toda atividade do Estado não pode estar em conflito com as leis que regulam a determinada atividade. Em suma, pro Estado fazer qualquer coisa, este deve obedecer à Lei e ao procedimento previsto em Lei. Nascia, assim, a burocracia.

No universo de Star Wars, os valores de Democracia e República encontram-se consolidados no Senado Galático, órgão máximo da galáxia. Não há, no caso, um Chefe da Galáxia, somente o Senado, os representantes de cada sistema solar (ou planeta, sei lá), e é este Senado que governa a Galáxia. Acontece que a Galáxia está em crise. Em tempos de crise, a burocracia não ajuda pois ela é lenta. Não havia tempo para o Senado ficar discutindo por dias qual era a melhor decisão enquanto o caos tomava conta da galáxia. O próprio Senado estava em crise. A solução encontrada, então, foi ampliar os poderes de um único Senador, dando a ele mais controle sobre as decisões do Senado, por um tempo limitado, para que este pudesse agir mais rapidamente para contornar a crise. Escolheram então uma figura poderosa e influente, o Senador Palpatine. Anakin Skywalker viera de um planeta governado basicamente por bandidos, então passou a admirar a Democracia e a República assim que abandonou sua terra natal. Ainda assim, aprovava cada vez que o Senado aumentava os poderes do Senador Palpatine, uma vez que a burocracia somente atrapalhava na crise em que viviam. O Senado estava fraco, e aos poucos Anakin começou a perder a fé na Democracia e na República, ainda que lutasse para defendê-la. Além disso, confiava muito no Senador Palpatine. Já o Conselho Jedi estava com a pulga atrás da orelha com aquele homem ganhando cada vez mais poder no cenário político da Galáxia. O Conselho chegou a pensar em assumir o controle do Senado caso a guerra terminasse e o Senador Palpatine não estivesse disposto a abdicar de seus poderes. Nesse ponto da história, o jovem Skywalker já estava completamente confuso. De um lado, o Senador Palpatine lhe influenciava a não confiar no Conselho Jedi. De outro, o Conselho Jedi queria que Anakin os mantivesse informados de qualquer ação tomada por Palpatine! Aí a coisa ferrou de vez quando Anakin descobriu que o Senador Palpatine era o Lord Sith que estava trazendo toda a desgraça pra galáxia. Aí parece simples né, bem e mal, o bem tem que ganhar do mal, etc...


Anakin poderia ter acabado com tudo ali, mas achou melhor informar ao conselho Jedi. Contou a descoberta para o Mestre Windu que foi logo ao encontro do Lord Sith, mas não autorizou que Anakin fosse junto. Claro que Anakin, que já não gostava do Conselho, não gostou da proibição, e resolveu ir por conta própria até Palpatine para ver o que aconteceria. É aí então que chegamos na cena citada no início do post. Anakin encontra o Lord Sith prestes a ser executado pelo Mestre Windu. O Lord Sith implora por ajuda. Anakin diz que ele não pode ser morto, que ele deve ser julgado pelas leis. Com essa afirmação, Anakin Skywalker invocou todas as conquistas que fizemos ao longo do tempo, na história da sociedade humana e da formação do Estado. Mas o mestre Windu se recusou e disse que Palpatine precisava ser morto, pois ele era muito influente, ou seja, com certeza conseguiria manipular o julgamento a seu favor. Então, decidiu matá-lo. Mesmo assim, Anakin foi contra e atacou o Mestre Windu, o que resultou na morte do personagem do Samuel L. Jackson. Finalmente, ao invés de levar o Senador Palpatine para ser julgado por toda a crise que trouxe à galáxia, Anakin resolveu se juntar a ele no lado negro da força. WTF??? Acho que Anakin não precisava ser tão radical e poderia continuar com a sua idéia de levar Palpatine a julgamento, mas vai entender o que se passava na mente do pobre Skywalker diante de tudo aquilo né, fora sua sede por poder e a vontade de salvar Padmé da morte... u.u

O resultado da história: o Senador mais influente da Galáxia utilizou o atentado que sofrera para aumentar sua influência e prestígio, tendo quase todo o Senado a seus pés e declarando a formação do Império Galático. O Senado já estava tão fraco que não parecia uma má idéia dar todo o poder possível para um Imperador que parecia saber como botar a Galáxia no rumo certo. Foi assim que surgiu o Império. Também é uma demonstração do que acontece quando ignoramos todas as conquistas democráticas e achamos que o certo é concentrar todo o poder do Estado nas mãos de um único líder, o qual parece bom o bastante para governar, mas na verdade deixa-nos a mercê da sua arbitrariedade. A única coisa boa disso tudo, sem dúvida, foi que Anakin Skywalker, aquele cavaleiro Jedi sem graça, tornou-se Darth Vader!

Enfim, disso tudo dá pra entender a importância que nossos deputados, senadores, governadores, tribunais e a própria burocracia têm para o bom funcionamento do Estado. Quando a gente pensa que as instituições democráticas não funcionam, temos que pensar também que poderia ser pior. Poderia ser uma ditadura, sem liberdade e com leis que emanassem de uma única pessoa. Infelizmente, ainda há muita brecha para gente corrupta utilizar o Estado em interesse próprio, não no interesse público. Aqui no Brasil, nós temos o nosso próprio Senador Palpatine. Um homem que possui quase todo (no fim das contas, não podemos generalizar) o Senado na palma da sua mão. Assim como também possui influencia na Câmara, nos governos estaduais, no judiciário e até mesmo na Presidência da República. Provavelmente possui um vasto conhecimento do lado negro da força, já que está no poder até hoje e o desgraçado não morre! Mas há também uns poucos rebeldes que ainda lutam contra as forças do mal. Ao menos a nossa República, por pior que seja, não é o Império. Nós ainda temos o poder do voto, o poder de escolher quem a gente quer que governe. E por incrível que pareça, apesar de alguns resultados desastrosos na última eleição, também obtivemos resultados surpreendentes. O voto é o nosso sabre de luz na democracia.

Que a força esteja conosco!

 

domingo, 17 de abril de 2011

Vôo 666

Prólogo
Há muito tempo atrás o Iron Maiden anunciou 6 shows no Brasil. Uma das cidades contempladas foi Belém do Pará. Finalmente! Show de Heavy Metal aqui do outro lado do rio? Eu não perderia isso nunca! Porém, o problema começou logo com a data do show: 1ª de abril. Muita gente pensou que era sacanagem, mas tava lá no site oficial da banda! Algum tempo depois, começaram a vender os ingressos. Pois é...

Macapá – Quinta-Feira, 31/03/2011, 07:00
Nesse dia eu acordei mais ou menos 3 ou 4 horas antes do normal e tava foda pra voltar a dormir. A ansiedade tava matando. Não restava muito a fazer a não ser arrumar a mochila pra viajar 12 horas depois.

16:00
Eu estava todo feliz no meu trabalho, executando as pessoas, tomando casa, carro, etc... quando me ligam da PUMA AIR me informando que meu vôo foi cancelado. PUTA QUE PARIU! Eu fiquei doido, ainda mais porque o cara disse que ia tentar, repito, TENTAR, me bota em um vôo da GOL. Fiquei desesperado e fui logo vendo preço de passagem pra caso desse merda. Ainda bem que eu comprei a passagem para um dia antes. Já pensou se o cara me liga no dia do show avisando que os aviões estavam de manutenção até sábado?
Não me restava muito a fazer a não ser descontar minha fúria no contribuinte. Mais tarde liguei pra minha amiga Samila, que ia viajar no mesmo vôo que eu, pra saber se a PUMA também ligou pra ela. Foi aí que cheguei à conclusão que tudo aquilo era uma armadilha do destino por causa da maldição da lenda de fausto.
A MALDIÇÃO DA LENDA DE FAUSTO: se você leu meu último post, sabe que eu tenho uma amiga que se chama Samila e que ela recentemente lançou em livro uma nova versão de A Lenda de Fausto. Pois bem, uns dias depois ela me contou que existe uma maldião sobre esta história. Todos que escreveram a Lenda de Fausto morreram prematuramente, logo após concluir a obra. Todo mundo achava que a morte da Samila seria em um acidente de carro, mas com o cancelamento do vôo, eu pude concluir: o avião em manutenção deveria ter caído, logo a Samila morreria e me levaria junto! Mas o Deus Metal evitou que tal tragédia acontecesse. Ele sabia que eu definitivamente tinha que ir para esse show. \m/

18:30
Eu fui lá na PUMA obter alguma posição e o cara disse que eles ainda iam ser atendidos pelo pessoal da GOL. Mas ah caramba....

20:30
Sem muita esperança eu ligo na PUMA pra ter alguma posição e aí o cara me passa a hora do vôo e o localizador... AÊW!! O vôo saía às 2:45, mas com o medo de overbook por causa dessa cagada toda, parecia razoável chegar duas horas antes.

Sexta-Feira, 01/04/2011. 00:30
Eu ligo pro Rádio-Táxi e fico assistindo Jornal da Globo enquanto aguardo. Pra minha felicidade, estava passando uma matéria sobre o julgamento dos pilotos envolvidos no acidente do Boeing da GOL com o jato Legacy, onde morreram mais de 150 pessoas... meia hora depois, nada do táxi chegar. Eu comecei a ligar no Rádio-Táxi pra reclamar e a mulher dizia que já tava chegando. Tive que ir pra frente de casa e dei sorte do táxi ter passado na hora, pois o vizinho  da frente mudou o nome da porra do comércio dele e eu acabei dando a referência errada pro Rádio-Táxi. u.u Depois de ouvir histórias gloriosas do taxista sobre piseiros no curiaú, eu chego no aeroporto e faço o check-in. Na sala de embarque eu encontro a Samila e o Tiago, e tudo correu bem. Mais rápido que pegar ônibus em Macapá, nós estávamos em Belém.

Belém – Sexta-Feira, 01/04/2011, 04:00
A essa hora eu estava hospedado na casa do meu amigo Charles. Me deparei com o irmão dele estudando física. Espero que um dia ele se torne um grande físico nuclear, capaz de construir uma bomba atômica que vai destruir toda a humanidade em uma catástrofe nucelar. O.o

07:00
Eu to dormindo e o Charles me avisa que vai pra Universidade.

10:00
Charles chega da UFPA e eu ainda to dormindo.

13:00
Eu vou no Shopping Boulevard encontrar a Dayse e acabo pegando o ônibus errado. ¬¬ A essa altura do campeonato eu já tinha certeza que o Universo estava conspirando contra mim. u.u

15:30
Eu ainda estou no Shopping e a Samila me liga avisando que já estava chegando no local do Show. O.o Como meu ingresso era pro frontstage, resolvi que não precisava me preocupar com o horário.

18:00
Eu estava preocupado, pois era o horário de pico e por causa do show a tendência era do trânsito ficar mais caótico. A essa altura, a Dayse tinha ido pro estágio e eu já tinha encontrado a Hayra e a Drica, que também iam para o show.  Nós pegamos um táxi e fomos buscar o Charles. Fomos de Táxi para o show. O taxista disse que pegaria outro caminho para evitar o trânsito e até que deu certo! Não demorou muito, nós estávamos no Cidade Folia, diante daquela fila gigantesca. Disseram pra gente que aquela fila era única e que na frente iriam dividir as pessoas para a pista e para a área vip. Putz! O jeito era encarar a fila. Foi até divertido. Lembro do pessoal gritando “HEAVY METAL / UNIDO É MUITA GENTE JUNTA!” e “ALHO-ALHO-ALHO / O NOSSO FORTE É A RIMA!” Também foi o momento em que eu fiquei mais apreensivo pois eu achava que iria perder o ingresso ou iriam me roubar ou iria acontecer qualquer coisa... Mais tarde a gente descobriu que havia sim outra fila e fomos para lá. As meninas foram para o camarote e eu e o Charles para o frontstage. Era inacreditável o tanto que eu tava perto do palco. E o negócio lá era tão bom que só tinha Heineken pra vender! A primeira coisa que vi quando cheguei foi a Samila e o Tiago, na grade da pista dos póbre. Fui dizer “oi Samila” e ela me implorou uma água. Hehe! A banda de abertura, stress, fez uma apresentação muito foda. “Eu quero ouvir os desgracentos de Belém!!” hauahauaha!

DEPOIS DO SHOW DA STRESS
Eu já tava ansioso pra caralho pro show do Maiden, mas enquanto não começava, não restava muita coisa a fazer a não ser bater foto com os amigos estudantes de medicina malucos do Charles. E ficar vendo coisas engraçadas na platéia, como um cara que tinha uma caneca com a cara do Eddie. Outro maluco tinha MÁSCARA DO EDDIE! MUITO FODA! Na platéia o pessoal mostrava pras câmeras bandeiras do Pará. Não demorou muito, alguém levantou uma bandeira do Amapá! Eu tive que pirar quando vi isso no telão! Um roadie pegou um pano que ele tava usando pra limpar o palco e jogou na platéia pra galera pegar. Tinha um que tava com uma fita enorme na mão e a gente ficou pedindo pra ele jogar um pedaço da fita, mas não jogou. u.u Bem What The Fuck, mas beleza. De repente, as luzes do palco se apagam.

21:00
Acostumado com esses shows daqui de Macapá, eu realmente não esperava que o show fosse começar na hora marcada. Mas fui surpreendido pela pontualidade britânica. Às 21:00 do dia primeiro de abril de 2011, os metaleiros da região norte do país foram a loucura. As luzes do palco apagaram, as cortinas foram retiradas e as estrelas do cenário espacial no fundo do palco acenderam. Começou a tocar um playback de Satellite 15, criando um suspense filho da puta até a entrada da banda tocando The Final Frontier. Quem conhece a música deve imaginar como foi. Lembro do pessoal pirando quando na minha frente apareceu o Bruce Dickson! Depois eu vi todos no palco: Steve Harris, Dave Murrray, Adrian Smith e Janick Gers. Os mesmos caras que estão em um pôster colado há anos no meu guarda-roupa. O Nicko McBrain não dava pra ver porque ficava completamente escondido atrás da bateria!
Bom, o show foi foda demais. O maiden começou com The Final Frontier, logo em seguida El Dorado e depois 2 Minutes to Midnight. Em 2 Minutes to Midnight eu pensei que fosse morrer, mas aí deu pra tomar uma água, respirar um pouco e encarar o resto do show. Foi louco. Daí em diante não dá pra lembrar a ordem das músicas, mas teve tanto músicas novas muito fodas, como When The Wild Wind Blows, e Dance of Death (que eu realmente não esperaria que eles fossem tocar!/não cheguei a ver o setlist antes do show xD) como as clássicas Fear Of The Dark, The Number Of The Beast, Iron Maiden, Hallowed Be Thy Name, etc. Acho que o único problema do Iron Maiden é que é uma banda que possui tantos clássicos no repertório que é impossível tocar todos no show! E, além disso, mesmo os discos novos são muito fodas! Há quem discorde dessa última afirmação, mas eu acho todos os discos recentes muito bons, inclusive o The Final Frontier que ta incrível. Enfim, teve também as coisas clássicas de show do Iron Maiden: O Bruce Dickson gritou “Scream for me Belém!” antes de tocar Iron Maiden, o Eddie (versão E.T.) subiu no palco, O Janick Gers ficou girando a guitarra pela correia, o Bruce Dickson acrescentou um “fucking” na letra de The Number Of The Beast...

O RESTO DA VIAGEM
Depois do show, aconteceram as coisas típicas de viagem, a gente passeou, conheceu um bar foda, ficou bêbado... essas coisas legais. Não cancelaram meu vôo de volta. Mas a Samila ainda ia viajar comigo, botando minha vida em risco. Se bem que depois de ter assistido o show do Iron Maiden eu já poderia morrer feliz. Felizmente, isso não aconteceu. O vôo foi tranqüilo e nós voltamos jogando Uno no avião, eu, ela e o Tiago.
Eu retomei minha vidinha pacata de executar a galera que não paga os impostos. O Charles voltou a ser um sem vida social escroto estudante de Medicina. O irmão do Charles deve ter continuado maluco estudando física. A Samila voltou a escrever as loucuras dela e está viva até hoje.
Foi isso. Eu só espero ter outra oportunidade na vida pra ir para um show do Iron Maiden. Também ouvi dizer que ainda haverá shows muito bons em Belém esse ano. Quem topa? =]

domingo, 27 de março de 2011

A Lenda de Samila


Era uma vez um grupo de amigos da escola que gostavam de passar o tempo conversando sobre animes, videogames, filmes, histórias, música e etc. Eis que um dia uma pessoa desse grupo resolveu utilizar esse conhecimento para contar histórias, mais precisamente fan-fics publicadas on-line. Aos poucos ela foi ganhando renome dentro do gênero o qual ela escrevia, o yaoi. Para surpresa de todos, (nem tanto assim, já que todo mundo sabia que ela era uma escritora talentosa) ela foi descoberta por uma editora e está lançando o seu primeiro livro.
Essa pessoa é uma das meninas mais esquisitas que eu já conheci na vida. Ela é capaz de transformar qualquer coisa em Yaoi. É capaz de tirar uma história (yaoi ¬¬) de uma música. Na verdade, ela é capaz de escrever qualquer coisa após uma dose de tequila ou de absinto!
Amigos, hoje vocês vão conhecer um pouco da Samila Lages.

O passado
Eu pensei sobre como eu poderia homenagear essa amiga que acabou de lançar seu primeiro livro, mas como eu não sei homenagear pessoas, resolvi que iria sacanear expondo fatos constrangedores do passado dela. Zueira xD Mas como eu não sei o que escrever mesmo, vai ser sobre o que eu sei dela.
Eu conheci a Samila no primário, e nós acabamos sendo destinados a estudar forever and ever na mesma escola até o fim do ensino médio (e pqp, até na mesma faculdade, mas cursos diferentes o_o). Para o bem da minha sanidade mental, ela começou a estudar a tarde enquanto eu continuei estudando de manhã, então nós voltamos a conversar mesmo a partir do segundo grau, que só tinha turmas pela manhã no colégio.
Eu, ela e mais uma galera, éramos o grupinho nerd da sala. Entre as várias nerdisses que fazíamos, a Samila tinha a mania de desenhar aquele bichinho que aparecia no mangá Chobits. Por causa desse bichinho, nós criamos um grupo lá na sala chamado BDC’s, ou, como você já deve ter matado a charada, Bichinho Do Chobits. Sim, nós éramos retardados. Chobits era um mangá da CLAMP e, bem, tudo começou por causa desses malditos mangás da CLAMP.
Mais precisamente por causa de X-1999.
Eu achava X um mangá bem interessante, até a gente descobrir que a relação entre o Fuuma e o Kamui era...... Pra quem não sabe, Yaoi é um gênero de anime ou mangá que trata do romance entre dois homens. É isso mesmo. Viadage pura ¬¬ Mas enquanto eu achei aquilo nojento, a Samila achou lindo e começou a ler Fan-fics (fan-fictions: histórias baseadas em animes, mangás, filmes, etc. escritas por fãs) que criavam romances entre personagens do sexo masculino que não eram originalmente gays. Fora as fanfics de Cavaleiros do Zodíacos, porque eles são tudo um bando de viado xD Logo, ela começou a escrever fan-fics (ou "fuck-fictions" como leu erroneamente um tiozinho discursando no lançamento!! HAUAHAUAHAUAHAU), e não só fan-fics baseadas em animes, ela também escreveu histórias com personagens que ela mesmo criou.
A Samila ficou popular no meio Yaoi. Mas não são somente os fãs de Yaoi que a lêem. Como ela escreve bem pra caramba, mesmo quem não gosta de Yaoi acaba lendo as histórias dela. Por mais que as histórias sejam todas Yaoi, ainda assim ela escreve sobre uma variedade de temas, como uma história em que se passava na idade média, a história do mulequinho cego, outra baseada no RPG Lobisomem, o Apocalipse (é sério!!).
Naturalmente ela acabou sendo descoberta pelas editoras.

O presente
Samila lançou o seu primeiro livro, A Lenda de Fausto, uma versão da famosa história do médico alemão, em 11 de março desse ano. Tecnicamente, este não é o seu primeiro lançamento, já que ela participou de uma coletânea de histórias de terror, Sinistro! 2, com o canto a canção do carrasco. Mas mesmo assim, ainda é o seu primeiro livro, então é muito divertido ver o quanto ela ficou doida por causa desse lançamento XD
O livro conta a história do envolvimento de Fausto, um médico devoto a Deus, praticamente um santo, com o demônio Belial, demônio da luxúria, prazer, etc., uma tentativa de Lúcifer para corromper o queridinho de Deus. Essas história de demônio e tal já causam uma certa polêmica, agora imagina com a Samila acrescentando o elemento yaoi...
Pelo menos, para um estado como o que a gente vive em que a produção literária consiste em “Contos da Amazônia”, “Poemas da Amazônia” “Num sei o quê da Amazônia” já é um avanço pra algo mais impactante e significativo (e variado, é claro).

O futuro
O futuro é formado por algumas poucas certezas e muitas expectativas, então só me resta aqui desejar que a Lenda de Fausto faça muito sucesso e que venham muitos outros livros de sucesso depois desse. E que ela fique rica, é claro =D
Imagino eu folheando a Veja e me deparando com A Lenda de Fausto, na lista dos mais vendidos da semana!

Parabéns Samila, sua Bixa!

ps: esqueci de colocar, o contato dela caso alguém esteja interessado no livro hehehe, lá vai:
http://samilalages.blogspot.com/
twitter: @samilalages

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Adaptações pro cinema

Olha eu aqui o_o

Adaptação de livros ou quadrinhos pro cinema é sempre assim: você descobre que tal obra vai ser adaptada e pensa "Que foda!!!" logo após assistir o filme você pensa "Que merda!!!". Aí então surge uma discussão de dois lados, um diz que o filme tá horrível, não respeitou a obra original, e outros acham que ficou bom, que o filme tinha que ter sido adaptado daquela forma para o cinema e etc.
O grande problema de se adaptar uma obra é que um quadrinho, por exemplo, pode ter 9817519857 de edições, e um livro pode ter 48379157643156 de páginas, mas um filme mesmo geralmente se limita a umas 2 horas, no máximo 3. Ou seja, o filme será uma espécie de resumo da obra original. Acho que até aí tudo bem. Não me importo de O Senhor dos Anéis, uma aventura que dura mais de um ano, parecer que aconteceu em no máximo um mês. O problema é quando mudam algumas coisas absurdas na história. No terceiro filme de Senhor dos Anéis, por exemplo, é meio inadmissível que o Elrond apareça naquele acampamento (sem mesmo fazer idéia de onde estava aragorn) e entregue a espada de Isildur para ele, sendo que a sociedade do anel teve que atravessar montanhas, enfrentar um balrog e etc para chegar naquele mesmo lugar. O que eu acho mais bizarro desse filme é o exército de fantasmas verdes. Com um exército desse tipo, dava pra vencer TODAS as tropas de Sauron fácil, fácil! Não haveria motivo para Aragorn liberá-los até o fim da guerra! No livro (se eu não estiver pirado da cabeça) são verdadeiros mortos vivos que os acompanham, criaturas bem mais sinistros que aqueles fantasmas verdes que parecem o espírito vingativo de um antigo pirata.
A verdade é que essa questão da adaptações boas ou não é algo totalmente pessoal e relativo, então o que pode parecer um bom filme para mim, pode não ser para os outros. Vai de cada um. Vou falar aqui sobre algumas adaptações e o que eu acho delas.

Tróia
Fazia algum tempo que eu tive a idéia de fazer esse post, mas me ocorreu fortemente em escrevê-lo um dia desses em que eu assisti Tróia no SBT enquanto eu acompanhava os comentários sobre o filme no twitter. Eis os fatos: uma amiga  minha (não sei se ela vai se sentir orgulhosa por causa do post hehe) tava revoltada dizendo o quanto Tróia ofendia a história original, a Ilíada. Nunca li, nem tenho vontade, mas todo mundo conhece a história. Acontece que a guerra de tróia dura anos, mas no filme parece que foi só um mês, como em Senhor dos Anéis. Quando mostrou a cena em que o Aquiles arrastava o corpo de Heitor, a tal minha amiga disse que Aquiles na verdade passou 40 dias arrastando o corpo de Heitor! Aí que me ocorreu, seria realmente necessário mostrar Aquiles arrastando pra lá e pra cá um corpo por 40 dias? Não é só um problema com uma vinhetinha escrito "40 dias depois" (ou com a "bruteza" desnecessária de Aquiles), o problema é que a percepção do tempo em um filme é diferente da vida real. Ou seja, uma guerra pode durar alguns dias (ou parecer que durou alguns dias), já que no filme não se tem a capacidade discricionária para se narrar um evento único que durou anos. Ou, se isso é possível, provavelmente não ficaria bom. Em O Advogado do Diabo, os processos judiciais parecem acontecer em poucos dias, justamente pro bom andamento do filme (ou a justiça no EUA é incrivelmente célere o_o). No cinema é possível dilatar ou encurtar o tempo. A percepção temporal então não é um argumento muito válido pra se criticar uma obra que desde o início se propõem como um resumo da obra original. Agora se tróia ofende os acontecimentos históricos, os personagens, a história em si, aí vai de cada um. Curiosamente, Tróia consegue ofender uma obra literária de valor histórico, ou seja, ofende a obra e a História em si. Por sinal, esse pessoal que fala mal dos filmes que não respeitam fatos passados são bem chatinhos, viu? =P

O Último Mestre do Ar
Acho bem chato o fato do filme não figurar com o nome da série original, avatar (maldito cameron!) mas fazer o que né... Essa adaptação, pra mim, que sou apaixonado pelo cartoon, é bem ruinzinha! Como eu já disse anteriormente, o filme será sempre um resumo da obra original. O problema de avatar é ser um filme justamente mal resumido! Eu diria que o filme é uma história mal contada. Parece tudo muito corrido e acaba que fatos importantes, não têm o mesmo drama que tiveram no desenho. Tudo muito rápido e sem graça. E por mais que avatar tenha muito conteúdo pra se resumir em duas horas, ainda é possível isso. É possível com uma técnica narrativa decente. Um exemplo de um filme bem contado é Star Wars. Todo filme de Star Wars começa com aquele letreiro que conta os fatos anteriores, introdutórios do que acontecerá no filme, em seguida passa pro filme onde acontece bastante coisa. Sabe qual é o segredo? Aquela transição de imagem, em que uma imagem meio que chega jogando a outra pro lado. Com esse efeito, dá pra mostrar vários eventos distintos rapidamente e se pode detalhar melhor os eventos principais, como o ataque à Estrela da Morte ou o confronto contra Darth Vader. Não sei se isso se aplicaria ao filme de avatar, mas bem, se for pra fazer um filme com uma história mal contada, melhor nem fazer, né? Fora a parte da história, o filme peca em muita coisa também: Na caracterização dos personagens, nas coreografias...

Watchmen
Watchmen é uma das adaptações mais fiéis que já assisti.  Foi possível pegar toda a história e botar em três horas de filme, claro que se perdeu alguns detalhes, mas no geral ficou muito bom. Outros detalhes foram alterados, inclusive o final foi modificado, o que gerou certa polêmica. Na HQ, era simulado um ataque alienígena contra a terra na cidade de Nova York, o que fazia os países do mundo juntar forças contra uma possível ameaça externa. No filme, foi simulado um ataque do Dr. Manhatann, outrora super-herói que trabalhava para o governo americano, e o ataque também foi mais cruel, atingindo Nova York, Londres e outras cidades. Dessa forma, os países do mundo todo resolveram juntar forças contra a ameaça externa. Há quem critique o final novo, mas eu acredito que em essência, não muda porra nenhuma. Pelo contrário, acho que o ataque do Dr. Manhattan (uma ameaça que parece muito mais real no universo da HQ que o alien que se explodiu na cidade de Nova York) ficou muito mais convincente. Não é desmerecer o final da HQ, mas é que esse foi um ponto em que acertaram muito bem ao modificar no filme. Talvez o próprio Alan Moore tenha pensado "Nossa, esse final ficou fera."

Scott Pilgrim

O filme que mais me viciou esses últimos tempos, é também uma excelente adaptação. O HQ é muito mais completo (lógico), mas eu acredito que todo o essencial foi colocado no filme (não posso afirmar com certeza, pois ainda não li os volumes 5 e 6). Após ter assistido o filme eu fui atrás do HQ, e fiquei impressionado com a semelhança das cenas, vejam só:


Scott Pilgrim é um filme do caralho, quem ainda não viu, deve assistir imediatamente!

Como esse negócio de gostar ou não de uma adaptação é algo extremamente subjetivo, não dá pra eu ficar aqui só falando por mim, então comentem aí o que vocês acham de adaptações cinematográficas =D
Infelizmente não deu pra eu falar tudo que eu queria, mas vocês podem complementar com os comentários \o/
Por hoje é só! Espero ter mais tempo para poder postar aqui =]

See ya!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Profissão do Diabo - Ou Não

Eu lembro que em uma das primeiras aulas que eu tive na faculdade, a professora de sociologia disse "Aposto que muitos que estão aqui resolveram escolher o curso de direito por verem naqueles filmes americanos advogados ganhando aquelas grandes causas." E nesse momento eu pensei "Puta que pariu, esse aí sou eu." Alguns filmes um pouco mais sérios da sessão da tarde acabavam em um juri com o clímax no momento em que o juiz dava a sentença, e eu achava muito irado quando no final o advogado vencia a grande causa. Um exemplo memorável é o filme do velhinho que tem que ir pra justiça provar que é o papai noel de verdade. Saindo da sessão da tarde, O Exorcismo de Emilie Rose (eu axo, tem exorcismo de tudo que é gente agora) é uma história de terror toda contada em um júri. O padre que realizou o exorcismo na Emilie, é acusado de homicídio culposo por acreditar que um demônio possuiu o corpo dela ao invés de ajudar ela no tratamento psiquiátrico. Já a própria advogada dele tenta provar que foi um caso de possessão demoníaca e a defesa é muito bacana. A idéia do filme é muito boa, e o filme mesmo é do caralho. Mas para entendermos melhor o mérito da questão do post, vou exemplificar com um filme que eu acho muito, muito foda:

Lembro até hoje do dia que vi esse filme na locadora e pensei "Pô, isso deve ser sobre um advogado que pega o caso mais fudido do mundo e no final consegue ganhar! Deve ser foda!" Não era do jeito que eu pensei, mas de fato, Kevin Lomax pegava cada criminoso escroto e conseguia com que ele fosse absolvido, mantendo um histórico impecável de vitórias nos tribunais, nunca tendo perdido um caso. Ele é recrutado para uma grande firma de advocacia de Nova York, e a história gira em torno da sua ambição, vaidade, do dinheiro e de uma conspiração sinistra envolvendo a firma. No filme, John Milton, o presidente da firma diz que escolheu a advocacia por essa ser uma profissão que estava em todo lugar, absolvição após absolvição liberando o mau cheiro até que chegasse aos céus. Basicamente, deixando o mal a solta por aí. Popularmente, soltando bandido. Então, o que há de nobre em soltar bandido? O trabalho do advogado não é soltar bandido, é o de garantir que a pessoa exerça o direito sagrado de defesa. Defender-se consiste tanto em justificar o que você fez (conseguindo daí uma legítima defesa, por exemplo) quanto provar que você não fez aquilo pelo qual estão lhe acusando. A justiça funciona da seguinte forma: A acusação acusa um indivíduo de ter praticado determinado crime e expõe fatos e motivos. A defesa contra-argumenta, expondo fatos contrários aos expostos pela acusação ou justificativas. O juiz, ou juri, vai jogar numa balança tudo que foi exposto pela acusação e pela defesa, ponderar sobre a veracidade dos fatos, sobre quem tem razão ou não e, dessa forma, decidir se a pessoa é culpada ou não. "Se é tudo tão bonito assim, então por que os advogados conseguem tirar os criminosos da cadeia? Por que ninguém vai preso no Brasil? Por que a justiça é tão injusta?" Acontece que, pra se ter uma boa acusação, é necessário que se tenha uma boa prova. E pra se ter uma boa prova, é necessário um trabalho bem feito da polícia e da perícia. Pra se fazer uma boa defesa, basta apenas ter um bom advogado. Se um dos órgãos citados falha, a acusação vai por água abaixo. Nesse ponto a defesa sempre vai estar em vantagem. "Mas porra, todo mundo sabe que ele é bandido!" Beleza, então que seja provado no tribunal, ou por acaso você acha certo prender alguém só porque ele tem 'cara de bandido' mas não se tem certeza do que ele realmente fez? "Mas fulano viu lá que ele fez! Porra, pra que tanto processo, tanta prova, tanta coisa? Num dá pra prender logo? Isso aí é bandido!" Se ignorássemos todos os procedimentos legais, voltaríamos para o tempo em que um rei, a seu mero arbítrio, mandava enforcar quem ele quisesse, só porque não foi com a cara. Tudo isso existe pra se garantir que a pessoa mandada para a prisão foi realmente a autora do crime. Afinal de contas, é melhor absolver cem criminosos do que condenar um inocente, como já disse um sábio. E é verdade. Todo mundo reclama quando um criminoso é solto por falta de provas, mas a cagada é generalizada quando um inocente é preso.

O caso Nardoni gerou tanta repercussão que por dias não se falava de outra coisa, até a perícia foi exibida ao vivo na televisão. No dia do julgamento, eu fiquei realmente puto vendo aquele bando de idiotas na frente do tribunal acompanhando o caso, xingando o casal, querendo bater no advogado, chamando a Isabela de anjinho e esperando a condenação. O que me deixou mais puto mesmo, foi um sujeito que falou pro repórter que veio de pernambuco (ou algum outro estado do nordeste, nem lembro agora) somente pra acompanhar o caso. FILHO DA PUTA! Caralho, o cara sai da porra do nordeste pra ficar plantado dias, em pé, junto de um monte de babaca, na frente do tribunal em são paulo só esperando uma sentença que não vai influir em nada na vida dele? Ah, vá tomar no cu, falta do que fazer do caralho. E quando a sentença foi dada, condenando o casal, soltaram fogos e foi feita a maior festa. Será que as pessoas ali acham que são melhores que um bando de camponeses assistindo uma bruxa queimando na idade média?

Mas houve algo bom pra se tirar desse caso. Por mais que o casal já estivesse crucificado pela opinião popular, faltava ainda acabar com eles no tribunal. E, de fato, não havia nenhuma prova concreta que indicasse a autoria do crime sendo realmente deles. E agora? Por mais que não houvessem provas, haviam vários indícios, sinais de que tal coisa tenha sido feita. Reunindo todos os indícios coletados pela perícia, que não poupou esforços, foi possível que a acusação recriasse a linha de tempo de todos os acontecimentos dentro do apartamento até o derradeiro momento em que Isabela Nardoni foi atirada pela janela. Sem chance pra defesa! Decisão unânime do juri! Trabalho excelente do promotor! Justiça! Mas eu duvido que seria dada tanta atenção assim para esse caso se não fosse a pressão popular. Na verdade, acho que nem os juízes botavam fé, tanto que seguraram o casal na prisão até o dia do julgamento, sendo que os nardonis tinham todos os requisitos necessários para responder em liberdade.

Se fosse dedicado (e até certo ponto, possível) todo o esforço necessário para solucionar os demais casos, haveria muito menos injustiça. Outro aspecto é que, particularmente, acredito que a lei brasileira seja sim muito branda, mas isso não é assunto para se discorrer aqui no blog, esse eu deixo para as mesas de bar ;)

Ok, mas tudo isso que eu disse não muda o fato de que advogados são pessoas que tiram pessoas más da cadeia por dinheiro, certo? Bom, somos todos seres humanos, querendo ou não, cometemos erros, podemos nos arrepender, podemos não nos arrepender, enfim, apesar de eu acreditar que a lei brasileira seja branda, também acredito que, em alguns casos, as pessoas mereçam uma segunda chance, ou possam, pelo menos, justificar os seus atos. Um exemplo excelente disso é um dos meus filmes nacionais preferidos: O Auto da Compadecida.

Aqui, o nosso amigo Capeta assume o outro lado do tribunal, a promotoria, acusando, baseado na lei divina, os personagens do filme, tentando arrematar mais almas para o inferno. O tribunal divino também é composto pela Nossa Senhora, como advogada de defesa e Jesus Cristo, o juiz de todos os homens (falei bonito agora, digue lá!), como juiz. Não é um tribunal muito imparcial, haja visto que a advogada é mãe do juiz, mas vamos aos fatos: o Diabo começa a sua acusação, bem fundada, contra cada personagem, mas a Mãe de Jesus consegue achar a brecha na lei divina necessária para que possa defender cada personagem e mandá-los para o céu. Ela consegue até mesmo uma "condicional" para o João Grilo, personagem do Mateus Nachtergaele. Qual a lição que podemos tirar daí? Que o advogado é aquele que também garante que a pessoa tenha sua segunda chance, ou que apenas seja vista como ser humano, como no caso do monstro austríaco, em que o advogado disse ser esse o objetivo, mostrar que o velho que prendeu a filha por mais de 20 anos também era um ser humano. O velho já era réu confesso, então não tinha o que fazer mesmo... hehe. Assim como a acusação bem feita depende da atuação de vários elementos, o mesmo vale para a justiça, que precisa tanto de promotores bons de um lado quanto de bons defensores do outro, para que saia daí uma decisão o mais próxima possível do que seria "justo".

Bem, há muitíssima coisa pra se falar sobre esse assunto, e eu nem entrei na parte de causas cíveis, advogados x advogados! Mas eu tentei falar sobre o basicão do direito penal e de uma forma voltada para os que não conhecem a linguagem técnica do direito, os seus princípios e etc. Mas se eu for parar pra pensar nisso, quase todos os meus amigos estudam direito... vocês não tinham outro curso pra escolher não? ¬¬ Bom.. comentem =D e se você estuda direito, além de me xingar, eu agradeceria também que contribuísse com algo, ou me corrigisse, ou discordasse!
Abraços!!